sexta-feira, 2 de maio de 2008

Palhaçada

O palhaço entoava em versos firmes: "que a gente vai levando, que a gente vai levando..."; mas ninguém se incomodava. As mulheres ao lado riam; nem com ele, e sequer dele. O palhaço protestou: exigia público. O cobrador, agora, olhava desconfiado. Logo atrás, a embriaguez, vestida de chapéu e rugas, esbravejou, para desespero do palhaço: "Você não é um palhaço! Você é um profissional!" Era o fim. A palhaçada havia sido burocratizada por um ébrio! O ônibus seguiu e o palhaço perdeu o ponto.

Nenhum comentário: