terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Jung falls in love

Comprei 'Eu e o Inconsciente'. Tenho também transcrito meus sonhos.
Um sebo na 7 de Abril. Edição Vozes, 1982.
R$ 15,00.

Uma carta dentro. 1 folha A4, tirada de espiral caderno. Pautada.

Curiosa carta de amor.

O livro não tinha nome algum. Alguns grifos nas primeiras páginas. Sequer talvez tenha sido lido.


Sem data.

Rê,

Nunca me preocupei com o tempo, como você sabe. Mas agora sou capaz de calcular os anos. 7, 8? Quantos exatamente?
Lembro-me que era Maio. Fazem 8 anos. E ninguém deu aquele telefonema que prometemos nos dar quando achássemos que fosse a hora. Essa hora jamais chegou?
A mim, confesso que chegou mas me faltaram culhões. Orgulho até.
Por cima, fiz aqui as contas, pensei em você nesses todos quase 3 mil dias desde a última vez. De verdade, não pensei não, pois foram os pensamentos que chegavam sobre mim como queda livre sem qualquer amortecimento. Que peso.
Refletindo hoje, com a calma que a idade me trouxe, e que outrora não pude ter, constato as razões das coisas com uma certa clareza, como quem olha para o próprio umbigo.
O que sabemos do amor aos 22 anos, fora o fato de que ele é uma grande possibilidade?
E vejo hoje que foram as possibilidades do amor que nos separaram. O descontentamento do fato diante das potenciais possibilidades que as diferentes formas de amor podem assumir. Desejávamos tantos gostos, tantos sexos, outras peles, terras outras. Assumir a restrição a tudo isso era um fardo por demais denso para nós. Desejávamos flutuar.
Pergunto-me, por vergonha a perguntar-lhe: flutuei (flutuou)?
O que posso dizer é que conheci o amor quando me vi apartado dele, boiando nas águas de um doce amargo idealismo.
Te amei durante o tempo em que permanecemos juntos? É certo que sim. Não fosse a ansiedade de tudo viver, e de todos amar, essa possibilidade de amor que falei acima, minha visão estaria menos turva aos seus abraços.
Soube que quase casou. Que morou um bocado de tempo com um rapaz estudante de biologia. Tenho inveja e ciúmes, e vergonha. Soube que está trabalhando em sua própria clínica, e que desistiu da idéia de ser dançarina. Soube que está enriquecendo e continua bonita. Sei que me tornei advogado quase contra minha vontade.
Gostaria de encontrá-la. Ligue-me se recepcionar bem essa carta. Gostaria de lhe falar coisas, apesar do conforto que as palavras no papel trazem.

Com afeto, Gustavo.


Conjecturas.
Essa carta foi enviada, e como recebida?
Conjecturas.
Eles se encontram e se amaram novamente?
Conjecturas.
Tomaram um café e depois fizeram sexo e depois nunca mais se viram?
Conjecturas.
Como essa carta foi parar no meio do Jung? O que Jung tem a ver com isso?
Conjecturas.
Por que essa carta veio parar em minhas mãos?
Conjecturas.
Conjecturas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Nine Variations on a Dance Theme (1966)



[click no título para o vídeo]

Agradeço a . r


Foi preciso reprimir minha tendência a esteta
Na busca pela depuração.

O que seria essa depuração?
Vejo em Godard; que vê em Meliès.


O corpo humano me fez pensar novamente.

A dança
do corpo
da câmera
da montagem

O corpo feminino e Man Ray.


Repetição em espiral.
Música em espiral: minimalismo.





Penso novamente na beleza.

Liberto meu aprisionado esteta: depurado.

*Lembrete narrativo: a dança transcende os palcos. Explode silenciosa nas ruas nos quartos.



sábado, 16 de janeiro de 2010

das Promessas do ano novo

Minha tia guardou minhas sementes de romã.
Prefiro assim, confiar meu destino a outros.
Apesar do meu desejo.. mim.

Por isso danço.

Melhor: hei de dançar.

Como lembrete estético.
O belo é o gostoso e isso basta.

De resto é preciso um par.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Porque não penso em outra coisa

Nietzsche argumentava que a vida é mulher. A mais renitente e bonachona delas (imaginem). Que ria nas caras daqueles que dela se aproximavam com verdades eternas, a custo de sabedoria.

Não tenho dificuldades de imaginar o mesmo.

Que a vida é mulher, não há dúvida.
Homens são muito rasos. Exceto eu, profundíssimo.

O fato é que a volubilidade da vida tem seu melhor exemplar exatamente na Mulher.
Acaso não fossem os hormônios, ainda sobrariam todas as causas místicas.


Precavidos, ouçam o conselho:
não se incomode em não compreender as mulheres; a vida é mesmo misteriosa demais.