sexta-feira, 21 de março de 2008

Entre um plano e outro

Amou demais: eis o erro.
Anteriormente a isso, amara de menos e fora infeliz.
Pensava, ao certo, que excessos não acometiam o amor. Excessos eram práticas de atividades viciantes; enquanto o amor, não... o amor, pensava, o libertaria.
Talvez se tivesse sido mais frio. Se, ao menos, tivesse abafado o ímpeto que o conduzia aos gracejos, aos mimos... Se insistisse na imparcialidade que fora até então!... ou mesmo, no jogo que constitui o amar e o ser amado... Aí talvez...
Mas não. Contra todos os cautelosos cuidados que a imprecisão amorosa exige, ousou viver. Escolheu pela experiência no seu estado mais bruto; e por ela foi golpeado.
Sentia-se vivo, portanto. Vivo. E, inconsciente de tudo quanto diz respeito ao amor.