
Jade Barbosa - Ginasta brasileira competindo em Pequim
Em texto de 1923, Béla Balázs discursava em favor da recuperação da expressividade do corpo, possível graças à máquina de se produzir imagens em movimento. O corpo recuperava os seus significados, dentro de uma norma que viria a unir todos os povos do globo sob a insígnia de um mesmo gesto universal.
A ginástica possui seus códigos e normas, sem os quais qualquer julgamento se faria impossível. O desenho do movimento, a harmonia das pausas e dos impulsos, compõem o painel do qual se depreenderá a natureza da medalha concedida. A beleza impregnada à presença do corpo.
A câmera recorta essa beleza: escolhe ângulos e partes do espaço. Detalhes: as mãos maltratadas dos repetidos movimentos, os rostos infantis matizados de porcelana, presilhas, pequenos enfeites a adornar uma impressão.
Os vários círculos projetados no ar, riscos de cores do mundo, constroem quase que uma abstração; em oposição à concretude daqueles corpos que parecem não constituídos da mesma matéria que a nossa.
No fim, há rostos. Variedades múltiplas de sentimentos impossíveis de definir, mas tão facilmente compreensíveis. Lágrimas, choros, risos, sorrisos. Enfim, entre a vitória e a derrota repousa a infinidade magnânima da condição humana.