São Paulo : imensurável.
São Paulo : possibilidades.
No trabalho. No amor. Nos hábitos.
Os corpos sentem isso e pedem por mais.
Daí uma monogamia difícil.
Daí uma crise.
Daí um filme.
terça-feira, 6 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
o título vem por último
desejo de não reagir à nada)
desejo de reagir. reajo. esse texto é uma reação.
reação que se quer ação.
às imagens. à lembrança. ao esquecimento.
venha presente, venha e me tome nos braços, como uma coisa que sequer desejo!
desejo de reagir. reajo. esse texto é uma reação.
reação que se quer ação.
às imagens. à lembrança. ao esquecimento.
venha presente, venha e me tome nos braços, como uma coisa que sequer desejo!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Alimento

Comprado. Num ímpeto consumista.
Fnac da Pedroso de Morais. Junto à Praça Maria José: um curioso quadrilátero de concreto com nome de mulher-homem.
Região agradável.
Com vários sebos: num manifesto frustrado à Estante Virtual.
Passeei.
Levei Sganzerla empoeirado.
Duma página ao acaso, transcrevo:
Zaratustra: é preciso ver seu Deus de longe. Somente assim ele se mostra sob um aspecto favorável. Por isso, o diabo mantém-se distante de Deus, pois é amigo da boa aparência.
*
Risadas.
Sejamos diabos, pois!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
IRASHAI 02
Aqui, para mim, o tempo assemelha-se a um rolo compressor. Pois trabalhar uma média de 14 horas por dia, e ter de tempo fora da fábrica, uma hora ao acordar, e um pouco mais de uma antes de dormir, faz com que você perca o senso cronológico da existência. Sabe meu amigo, tudo isso tem sido muito árduo, e as preocupações aumentaram tanto, que meu único consolo é pensar no futuro, num futuro que construo com doses de precisão dentro da minha imaginação, e por ele fico a sonhar, enquanto realizo o enfadonho serviço fabril.
IRASHAI 01
Sobre o serviço, trabalhei uns dois meses na Canon, onde se fabrica copiadoras; mas como meus pais estavam para vir também, mudei-me com as minhas irmãs para o mesmo local onde anteriormente já me encontrava. Tendo fins definidos e metas traçadas, trabalho uma média de 14 horas, sim parece loucura, mas há casos em que a vida resume-se em trabalhar, trabalhar para ganhar dinheiro, e ter dinheiro para.... bem. A solução por vezes é resignar-se. Tenho planejado minha ida para a Austrália, acho que ficarei por lá uns quatro meses, mas também estou preocupado com o vestibular no fim do ano, não sei se fazendo um intensivão de meio ano serei capaz de entrar no curso que desejo. Hei de decidir. Prioridades...
domingo, 16 de maio de 2010
pegar com as mãos : sentir com os pés
Contrafluxo, caetanizando na São João X Ipiranga. Discutindo a filosofia das pontas dos pés.
Esbarrões. Olhar o rosto das pessoas. A embriagez, os casais, os grupos, a alegria, os passos.
Inapreensível.
Quanta clareza!
Intenções flagradas numa intuição repentina. Forças... desconhecidas : conhecidas.
Fragmentos de uma noite tão vasta quanto o concreto paulistano. Noite que se estende e preenche as ruas do centro, quietude e pertubação ao meu peito. Como numa série de fotografias que captam instantes; momentos das infinitas historietas que se desdobram ante meus olhos, frente aos meus dedos.
Aprendendo com o acaso.
Aceitando o caos.
Mergulhando na multidão.
Despudorando.
Sambando.
A praça é do povo, enquanto o céu é da escuridão.
Amanheceu.
Esbarrões. Olhar o rosto das pessoas. A embriagez, os casais, os grupos, a alegria, os passos.
Inapreensível.
Quanta clareza!
Intenções flagradas numa intuição repentina. Forças... desconhecidas : conhecidas.
Fragmentos de uma noite tão vasta quanto o concreto paulistano. Noite que se estende e preenche as ruas do centro, quietude e pertubação ao meu peito. Como numa série de fotografias que captam instantes; momentos das infinitas historietas que se desdobram ante meus olhos, frente aos meus dedos.
Aprendendo com o acaso.
Aceitando o caos.
Mergulhando na multidão.
Despudorando.
Sambando.
A praça é do povo, enquanto o céu é da escuridão.
Amanheceu.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
solidão rebouças
trabalho melhor à noite. mudei. logo eu, ser tão solar.
padeço de uma solidão decorrente de uma preguiça. de ver as pessoas. muitas das pessoas.
enquanto as que desejo ver não vejo. a vida.
tenho uma certa facilidade em lidar com isso, digo, a solidão.
já fui mais só, muito mais. acho que por vergonha.
ao passo que ela ajuda em muitas coisas.
a masturbação de outro modo não contribui muito.
mais fazer o quê? sexo só a dois. amor também. assim. acho também que gostaria de coisas selvagens, como todos.
apartamento novo é bom. muito judeu. gosto dos chapéus, apesar de achar preto um mau tom.
surge de repente na proteção de tela do windows xp o recado do frânces: adieu l'ami. e uma foto do zidane dando tchau.
padeço de uma solidão decorrente de uma preguiça. de ver as pessoas. muitas das pessoas.
enquanto as que desejo ver não vejo. a vida.
tenho uma certa facilidade em lidar com isso, digo, a solidão.
já fui mais só, muito mais. acho que por vergonha.
ao passo que ela ajuda em muitas coisas.
a masturbação de outro modo não contribui muito.
mais fazer o quê? sexo só a dois. amor também. assim. acho também que gostaria de coisas selvagens, como todos.
apartamento novo é bom. muito judeu. gosto dos chapéus, apesar de achar preto um mau tom.
surge de repente na proteção de tela do windows xp o recado do frânces: adieu l'ami. e uma foto do zidane dando tchau.
GOdard
Fico as vezes com a impressão de gostar mais do que Godard diz, aos seus filmes. Apesar do paradoxo dessa frase.
Terminei nesses minutos atrás de ler "Introdução a uma verdadeira história do cinema".
Tenho vontade de finalmente ver o História(s) do Cinema.
As digressões e o esoterismo mostram-se fascinantes.
E há as pílulas dispersas que valem à pena.
Uma que gosto muito:
"o cinema é o que está entre as coisas, não são as coisas, é o que está entre uma e outra pessoa, entre você e eu, e depois, na tela, está entre as coisas."
Terminei nesses minutos atrás de ler "Introdução a uma verdadeira história do cinema".
Tenho vontade de finalmente ver o História(s) do Cinema.
As digressões e o esoterismo mostram-se fascinantes.
E há as pílulas dispersas que valem à pena.
Uma que gosto muito:
"o cinema é o que está entre as coisas, não são as coisas, é o que está entre uma e outra pessoa, entre você e eu, e depois, na tela, está entre as coisas."
sexta-feira, 26 de março de 2010
se volta, o que fazer ?
volta. Retornou. Sob formas de óculos e namorado e tudo. Que coisa!...
Amores irrealizados sempre foi um problema.
Incrível que me esqueci o nome. Não me esforço em lembrar.
Dentes grandes nesse sorriso enfim. Pensar. Cabeça lá e pés aqui. Arriscar?
Como diria Armand, e "Alegria Alegria": por que não?
A vida.
Arquétipos horóscopos: tudo a mesma mística.
O que me faz crer descrendo, ou não querendo.
Abismos.
Amores irrealizados sempre foi um problema.
Incrível que me esqueci o nome. Não me esforço em lembrar.
Dentes grandes nesse sorriso enfim. Pensar. Cabeça lá e pés aqui. Arriscar?
Como diria Armand, e "Alegria Alegria": por que não?
A vida.
Arquétipos horóscopos: tudo a mesma mística.
O que me faz crer descrendo, ou não querendo.
Abismos.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Jung falls in love
Comprei 'Eu e o Inconsciente'. Tenho também transcrito meus sonhos.
Um sebo na 7 de Abril. Edição Vozes, 1982.
R$ 15,00.
Uma carta dentro. 1 folha A4, tirada de espiral caderno. Pautada.
Curiosa carta de amor.
O livro não tinha nome algum. Alguns grifos nas primeiras páginas. Sequer talvez tenha sido lido.
Sem data.
Rê,
Nunca me preocupei com o tempo, como você sabe. Mas agora sou capaz de calcular os anos. 7, 8? Quantos exatamente?
Lembro-me que era Maio. Fazem 8 anos. E ninguém deu aquele telefonema que prometemos nos dar quando achássemos que fosse a hora. Essa hora jamais chegou?
A mim, confesso que chegou mas me faltaram culhões. Orgulho até.
Por cima, fiz aqui as contas, pensei em você nesses todos quase 3 mil dias desde a última vez. De verdade, não pensei não, pois foram os pensamentos que chegavam sobre mim como queda livre sem qualquer amortecimento. Que peso.
Refletindo hoje, com a calma que a idade me trouxe, e que outrora não pude ter, constato as razões das coisas com uma certa clareza, como quem olha para o próprio umbigo.
O que sabemos do amor aos 22 anos, fora o fato de que ele é uma grande possibilidade?
E vejo hoje que foram as possibilidades do amor que nos separaram. O descontentamento do fato diante das potenciais possibilidades que as diferentes formas de amor podem assumir. Desejávamos tantos gostos, tantos sexos, outras peles, terras outras. Assumir a restrição a tudo isso era um fardo por demais denso para nós. Desejávamos flutuar.
Pergunto-me, por vergonha a perguntar-lhe: flutuei (flutuou)?
O que posso dizer é que conheci o amor quando me vi apartado dele, boiando nas águas de um doce amargo idealismo.
Te amei durante o tempo em que permanecemos juntos? É certo que sim. Não fosse a ansiedade de tudo viver, e de todos amar, essa possibilidade de amor que falei acima, minha visão estaria menos turva aos seus abraços.
Soube que quase casou. Que morou um bocado de tempo com um rapaz estudante de biologia. Tenho inveja e ciúmes, e vergonha. Soube que está trabalhando em sua própria clínica, e que desistiu da idéia de ser dançarina. Soube que está enriquecendo e continua bonita. Sei que me tornei advogado quase contra minha vontade.
Gostaria de encontrá-la. Ligue-me se recepcionar bem essa carta. Gostaria de lhe falar coisas, apesar do conforto que as palavras no papel trazem.
Um sebo na 7 de Abril. Edição Vozes, 1982.
R$ 15,00.
Uma carta dentro. 1 folha A4, tirada de espiral caderno. Pautada.
Curiosa carta de amor.
O livro não tinha nome algum. Alguns grifos nas primeiras páginas. Sequer talvez tenha sido lido.
Sem data.
Rê,
Nunca me preocupei com o tempo, como você sabe. Mas agora sou capaz de calcular os anos. 7, 8? Quantos exatamente?
Lembro-me que era Maio. Fazem 8 anos. E ninguém deu aquele telefonema que prometemos nos dar quando achássemos que fosse a hora. Essa hora jamais chegou?
A mim, confesso que chegou mas me faltaram culhões. Orgulho até.
Por cima, fiz aqui as contas, pensei em você nesses todos quase 3 mil dias desde a última vez. De verdade, não pensei não, pois foram os pensamentos que chegavam sobre mim como queda livre sem qualquer amortecimento. Que peso.
Refletindo hoje, com a calma que a idade me trouxe, e que outrora não pude ter, constato as razões das coisas com uma certa clareza, como quem olha para o próprio umbigo.
O que sabemos do amor aos 22 anos, fora o fato de que ele é uma grande possibilidade?
E vejo hoje que foram as possibilidades do amor que nos separaram. O descontentamento do fato diante das potenciais possibilidades que as diferentes formas de amor podem assumir. Desejávamos tantos gostos, tantos sexos, outras peles, terras outras. Assumir a restrição a tudo isso era um fardo por demais denso para nós. Desejávamos flutuar.
Pergunto-me, por vergonha a perguntar-lhe: flutuei (flutuou)?
O que posso dizer é que conheci o amor quando me vi apartado dele, boiando nas águas de um doce amargo idealismo.
Te amei durante o tempo em que permanecemos juntos? É certo que sim. Não fosse a ansiedade de tudo viver, e de todos amar, essa possibilidade de amor que falei acima, minha visão estaria menos turva aos seus abraços.
Soube que quase casou. Que morou um bocado de tempo com um rapaz estudante de biologia. Tenho inveja e ciúmes, e vergonha. Soube que está trabalhando em sua própria clínica, e que desistiu da idéia de ser dançarina. Soube que está enriquecendo e continua bonita. Sei que me tornei advogado quase contra minha vontade.
Gostaria de encontrá-la. Ligue-me se recepcionar bem essa carta. Gostaria de lhe falar coisas, apesar do conforto que as palavras no papel trazem.
Com afeto, Gustavo.
Conjecturas.
Essa carta foi enviada, e como recebida?
Conjecturas.
Eles se encontram e se amaram novamente?
Conjecturas.
Tomaram um café e depois fizeram sexo e depois nunca mais se viram?
Conjecturas.
Como essa carta foi parar no meio do Jung? O que Jung tem a ver com isso?
Conjecturas.
Por que essa carta veio parar em minhas mãos?
Conjecturas.
Conjecturas.
Essa carta foi enviada, e como recebida?
Conjecturas.
Eles se encontram e se amaram novamente?
Conjecturas.
Tomaram um café e depois fizeram sexo e depois nunca mais se viram?
Conjecturas.
Como essa carta foi parar no meio do Jung? O que Jung tem a ver com isso?
Conjecturas.
Por que essa carta veio parar em minhas mãos?
Conjecturas.
Conjecturas.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Nine Variations on a Dance Theme (1966)

[click no título para o vídeo]
Agradeço a . r
Agradeço a . r
Foi preciso reprimir minha tendência a esteta
Na busca pela depuração.
O que seria essa depuração?
Vejo em Godard; que vê em Meliès.
O corpo humano me fez pensar novamente.
A dança
do corpo
da câmera
da montagem
O corpo feminino e Man Ray.
Repetição em espiral.
Música em espiral: minimalismo.
Penso novamente na beleza.
Liberto meu aprisionado esteta: depurado.
*Lembrete narrativo: a dança transcende os palcos. Explode silenciosa nas ruas nos quartos.
Na busca pela depuração.
O que seria essa depuração?
Vejo em Godard; que vê em Meliès.
O corpo humano me fez pensar novamente.
A dança
do corpo
da câmera
da montagem

O corpo feminino e Man Ray.
Repetição em espiral.
Música em espiral: minimalismo.
Penso novamente na beleza.
Liberto meu aprisionado esteta: depurado.
*Lembrete narrativo: a dança transcende os palcos. Explode silenciosa nas ruas nos quartos.
sábado, 16 de janeiro de 2010
das Promessas do ano novo
Minha tia guardou minhas sementes de romã.
Prefiro assim, confiar meu destino a outros.
Apesar do meu desejo.. mim.
Por isso danço.
Melhor: hei de dançar.
Como lembrete estético.
O belo é o gostoso e isso basta.
De resto é preciso um par.
Prefiro assim, confiar meu destino a outros.
Apesar do meu desejo.. mim.
Por isso danço.
Melhor: hei de dançar.
Como lembrete estético.
O belo é o gostoso e isso basta.
De resto é preciso um par.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Porque não penso em outra coisa
Nietzsche argumentava que a vida é mulher. A mais renitente e bonachona delas (imaginem). Que ria nas caras daqueles que dela se aproximavam com verdades eternas, a custo de sabedoria.
Não tenho dificuldades de imaginar o mesmo.
Que a vida é mulher, não há dúvida.
Homens são muito rasos. Exceto eu, profundíssimo.
O fato é que a volubilidade da vida tem seu melhor exemplar exatamente na Mulher.
Acaso não fossem os hormônios, ainda sobrariam todas as causas místicas.
Precavidos, ouçam o conselho:
não se incomode em não compreender as mulheres; a vida é mesmo misteriosa demais.
Não tenho dificuldades de imaginar o mesmo.
Que a vida é mulher, não há dúvida.
Homens são muito rasos. Exceto eu, profundíssimo.
O fato é que a volubilidade da vida tem seu melhor exemplar exatamente na Mulher.
Acaso não fossem os hormônios, ainda sobrariam todas as causas místicas.
Precavidos, ouçam o conselho:
não se incomode em não compreender as mulheres; a vida é mesmo misteriosa demais.
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