
Desvirginei. Conta-se aí o primeiro filme. As experiências, apesar de comuns, reverberam de modo distinto em cada um dos realizadores. Quanto a mim, assim posso dizer:
O filme é um exercício de faculdade no sentido de não existir funções definidas (pelo menos em nosso caso); o que dá origem a uma obra multifacetada em maior ou menor medida. Mas, que ao mesmo tempo possibilita o contato dos realizadores com todas as fases e técnicas do processo de elaboração do produto.
Devido a isso, e também, às contigências de produção, o filme estabelece outras significações, impensáveis durante as muitas horas de discussão. Nesse sentido, o filme é uma produto semântico sempre em construção; cria-se um ser autonômo, fora de controle.
A grande maioria dos melhores filmes possuem essa "qualidade" de indefinição e de múltiplas significações; acontece, no entanto, que em se tratando de estudantes, esse dado deve ser pensado de um outro modo. Uma situação hipotética: um filme fabuloso, realmente muito bom, "profissional"; entretanto, totalmente diferente do projeto inicial, devido às intervenções do tudo que existe entre o projeto e o produto. Agora, o mérito deve ser creditado aos estudantes, que na impotência de alcançar um objetivo primeiro, criaram algo distinto, ainda que muito bom?
Atualmente, com a difusão de diferentes canais de distribuição e exibição de conteúdo audiovisual digital, a natureza dos trabalhos curriculares está em processo de mudança. Pensa-se em um público em potencial. E a conseqüência de tal fenômeno é uma preocupação com a comunicabilidade (termo complexo, aqui adotado em seu sentido intuitivo) dos filmes, e com a busca pelo público. Talvez essa seja uma das causas do forte teor pop encontrado na produção dos estudantes. É possível dizer se a vontade de acertar é maior do que o medo de errar?
Muito mais pode, e deve, ser dito.
