sábado, 8 de setembro de 2007

Filme: Lado a Lado




Desvirginei. Conta-se aí o primeiro filme. As experiências, apesar de comuns, reverberam de modo distinto em cada um dos realizadores. Quanto a mim, assim posso dizer:

O filme é um exercício de faculdade no sentido de não existir funções definidas (pelo menos em nosso caso); o que dá origem a uma obra multifacetada em maior ou menor medida. Mas, que ao mesmo tempo possibilita o contato dos realizadores com todas as fases e técnicas do processo de elaboração do produto.
Devido a isso, e também, às contigências de produção, o filme estabelece outras significações, impensáveis durante as muitas horas de discussão. Nesse sentido, o filme é uma produto semântico sempre em construção; cria-se um ser autonômo, fora de controle.
A grande maioria dos melhores filmes possuem essa "qualidade" de indefinição e de múltiplas significações; acontece, no entanto, que em se tratando de estudantes, esse dado deve ser pensado de um outro modo. Uma situação hipotética: um filme fabuloso, realmente muito bom, "profissional"; entretanto, totalmente diferente do projeto inicial, devido às intervenções do tudo que existe entre o projeto e o produto. Agora, o mérito deve ser creditado aos estudantes, que na impotência de alcançar um objetivo primeiro, criaram algo distinto, ainda que muito bom?
Atualmente, com a difusão de diferentes canais de distribuição e exibição de conteúdo audiovisual digital, a natureza dos trabalhos curriculares está em processo de mudança. Pensa-se em um público em potencial. E a conseqüência de tal fenômeno é uma preocupação com a comunicabilidade (termo complexo, aqui adotado em seu sentido intuitivo) dos filmes, e com a busca pelo público. Talvez essa seja uma das causas do forte teor pop encontrado na produção dos estudantes. É possível dizer se a vontade de acertar é maior do que o medo de errar?
Muito mais pode, e deve, ser dito.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

nós-cinema


Eis a geração pós-muro de Berlim. Eis um mundo sem cartilha ou manual de instruções , dado à sorte de soluções diariamente construídas e desfeitas.
Sei, não é de hoje. Mas, meu tempo não foi ontem, e tampouco será amanhã ; o que importa é o hoje, processo em construção.
Pensar nos filmes, pensar no público, pensar na cultura e na sociedade como um todo. Então, dar sentido e utilidade aos primeiros, evitando sempre a saída fácil, cômoda. É isso que nos cabe? É esse o fardo que desejamos carregar?
Maquinarias que respondem em inglês. Técnica poderosa que concede poderes àqueles que a dominam - apetitoso joguete aos espíritos vaidosos. Técnica importável, tecnologia, não. O martelo do subdesenvolvimento imprime a sua marca no maleável material polimorfo. Maquiá-la?
Inútil restringir a função do cinema, amarrando-o em paradigmas ou em boas intenções. Deve-se, contudo, acreditar piamente no objetivo pretendido, posicionando-o acima de si próprio, dos interesses individuais : obrigação do comunicador; modéstia do artista.

Cinema-religião. O culto à imagem-som, com seus próprios ídolos dentro e fora das telas. Peregrinações em busca dos sagrados recursos de produção. E a promessa de um céu cujo destino é o próprio caminho. E mais: rezas, despachos, rituais diversos inseridos na tecitura de um produto dialeticamente místico-racional.
Cinema-paixão/compulsão. Ver sempre mais, todos os filmes possíveis. A busca da sensação. Viver no pêndulo de excitamento e de decepção que envolvem a criação. Acreditar no improvável; ter a insana medida do impossível.
Cinema-amor. Entrega. Quebrar divisas, fazendo do cinema vida, e da vida, a sua aventura!

Perguntassem agora o que penso do cinema, responder não poderia.