quinta-feira, 6 de setembro de 2007

nós-cinema


Eis a geração pós-muro de Berlim. Eis um mundo sem cartilha ou manual de instruções , dado à sorte de soluções diariamente construídas e desfeitas.
Sei, não é de hoje. Mas, meu tempo não foi ontem, e tampouco será amanhã ; o que importa é o hoje, processo em construção.
Pensar nos filmes, pensar no público, pensar na cultura e na sociedade como um todo. Então, dar sentido e utilidade aos primeiros, evitando sempre a saída fácil, cômoda. É isso que nos cabe? É esse o fardo que desejamos carregar?
Maquinarias que respondem em inglês. Técnica poderosa que concede poderes àqueles que a dominam - apetitoso joguete aos espíritos vaidosos. Técnica importável, tecnologia, não. O martelo do subdesenvolvimento imprime a sua marca no maleável material polimorfo. Maquiá-la?
Inútil restringir a função do cinema, amarrando-o em paradigmas ou em boas intenções. Deve-se, contudo, acreditar piamente no objetivo pretendido, posicionando-o acima de si próprio, dos interesses individuais : obrigação do comunicador; modéstia do artista.

Cinema-religião. O culto à imagem-som, com seus próprios ídolos dentro e fora das telas. Peregrinações em busca dos sagrados recursos de produção. E a promessa de um céu cujo destino é o próprio caminho. E mais: rezas, despachos, rituais diversos inseridos na tecitura de um produto dialeticamente místico-racional.
Cinema-paixão/compulsão. Ver sempre mais, todos os filmes possíveis. A busca da sensação. Viver no pêndulo de excitamento e de decepção que envolvem a criação. Acreditar no improvável; ter a insana medida do impossível.
Cinema-amor. Entrega. Quebrar divisas, fazendo do cinema vida, e da vida, a sua aventura!

Perguntassem agora o que penso do cinema, responder não poderia.

Um comentário:

rafael nantes, elrafanantes@gmail.com disse...

É suspiro e respiro, em qualquer lugar. Ver o máximo, ver todos os filmes do mundo, tudo a todo momento nada mais é que o respiro pós-Berlim. Nosso sentido é suicida, desmembrar corpos, se despedaçar nas telas para o vapor sair. Se não, o mundo suspira sua explosão.