sábado, 4 de agosto de 2007

Temas e Formas no cinema universitário brasileiro


Análise do filme “Conceição: Autor Bom é Autor Morto”
Esse texto não pretende ser de todo abrangente, e tão pouco generalizar tudo que (desconhecidamente) é produzido pelo cinema universitário. O fato é que o pouco que pude assistir (e realmente, revelo, foi muito pouco) apresenta-se marcado pela ousadia da juventude, e também pelo descompromisso característico da mesma. O filme “Conceição” não parece fugir dessa pequena regra.
Se o filme é o resultado de uma produção coletiva, e desse modo, já espeta a primeira crítica a um indefinido “cinema de autor”, o título já não deixa dúvidas: o filme é um discurso, não em favor de um tipo de cinema, mas pretensamente contra um outro: o cinema de autor (?), ambicioso tanto quanto incompreensível.
Acontece, contudo, que a dita produção coletiva não é usada tão somente como argumento em prol à própria crítica contida no filme, mas funciona também como álibi para as diversas irregularidades existentes no filme; como o depoimento de um funcionário (professor?) da UFF, na parte final do filme, pontua. Tem-se aqui um ponto ambíguo, senão, contraditório. Caso o filme seja composto por diversas estorietas, cada qual com uma forma diferente das demais, concedendo, desse modo, ao filme um caráter multifórmico, e, diria, irregular, ele acaba se contradizendo quanto à proposta de criticar um cinema de autor, uma vez que não se trata de um filme do grupo, mas, sim, de cada indivíduo do grupo.
O que incomoda ainda mais é que, não obstante a ausência de uma unidade de estilo formal, há uma unidade temática: o insólito. Não digo que o insólito, ou mesmo o escatológico não devam estar na tela – espaço da libertação, mas não concordo que estejam ali somente pelo fato de estar, o que acaba reduzindo o filme a uma brincadeira vazia e sem graça. Além do mais, e esse ponto revela um gosto pessoal, por que adotar referências e ações de um cinema estrangeiro, adaptando-o às precárias condições nacionais, somente para parodiá-lo de um modo cômico e amargamente sintomático de nossa incapacidade criativa?
Há ainda uma outra leitura, que igualmente não deixa de condenar o filme. As estórias sem pé nem cabeça do grupo de cineastas, aglutinados devido à presença da “Santa Conceição”, acabam condenando seus autores à “morte”. Os personagens pitorescos, envolvidos em situações esdrúxulas, assassinam e condenam seus irresponsáveis autores. Critica-se, assim, um outro lado do acima colocado: os realizadores irresponsáveis e sem qualquer compromisso com relação ao fazer cinema. Entretanto, esse ponto de vista é quase que completamente bloqueado pela opaca presença de elementos e formas opostas a sua defesa. Certamente, se o filme pretende condenar uma produção descompromissada socialmente, baseada em idéias irrefletidas, a sua própria forma e o seu conteúdo são o oposto de tal pretensão.
De qualquer modo, se, talvez, a intenção do filme fosse levantar discussões quanto à realização universitária, ele o fez de modo tradicionalmente brasileiro: através do contra-exemplo.

3 comentários:

rafael nantes, elrafanantes@gmail.com disse...

Consegui, porra! Escreverei minha crítica em meu blog em breve. Como você já sabe tenho discordâncias em alguns pontos. Pensarei mais sobre o filme e assim que escrever, volto aqui e exponho meus pontos de discordância. E dá-lhe blogs!
.r

rafael nantes, elrafanantes@gmail.com disse...

Cadê?

Anônimo disse...

bom comeco