o pensamento consiste no seguinte:
(falo da dimensão física - que inclue a espiritual)
: à vontade para a vida significa ausentar-se de si.
caso contrário é o olhar que se olha, se julga, se recalca.
estar fora de si é condição de bem-estar.
a ideia de EU atrapalha as coisas.
mas por outro lado, a não-consciência do EU-corpo-palavra leva à ruptura do diálogo com o outro.
pois se perde um dos eixos da relação.
leva também à postura blasè.
viver plenamente é estar atento à si,
de modo a impedir o retorno a si mesmo.
é a autoconsciência operando, e sabedora de sua doação.
a consequência disso é a assunção das máscaras,
enquanto pressuposto de encarar as situações da vida.
a máscara é o conhecimento de que há algo debaixo dela,
mas que não se necessita mostrar.
é o próprio mecanismo descrito acima.
ator que é ator é tão consciente de si
que possui a coragem de ignorar-se.
sábado, 24 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
super dv
pensando em super8 vejo crianças correndo
tias avós com bolos
tremelidões e zooms
nenhuma câmera super8 possui um LCD retrátil. seu olhar é projetado para fora de si.
a auto-gravação de nossas pequenas miniDV é a esquizofrenia do olhar.
tias avós com bolos
tremelidões e zooms
nenhuma câmera super8 possui um LCD retrátil. seu olhar é projetado para fora de si.
a auto-gravação de nossas pequenas miniDV é a esquizofrenia do olhar.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
guisÀ de um pensamento
O verdadeiro voltar-se a si, quando dado de modo honesto, gera, por consequência, o maior e mais longo afastamento de si.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
metalinguística
Talvez possa estar enganado.
Dia a dia que passa, e que julgo saber mais, menos encaro ser o cinema aquilo que diz respeito diretamente ao cinema. Entre livros e teorias, vale mais o sapateado.
Dia a dia que passa, e que julgo saber mais, menos encaro ser o cinema aquilo que diz respeito diretamente ao cinema. Entre livros e teorias, vale mais o sapateado.
sábado, 23 de maio de 2009
mão esquerda

Sou destro.
Assimétrico, pendendo para a maioria.
Porém, quando criança, no ensaio dos meus primeiros passos, sofri um acidente na mão esquerda. Sangue e lágrimas contra o indiferente metal.
Penso por vezes o significado disso.
Penso, por exemplo, por que, num gesto tão necessariamente preciso quanto é o de agarrar, segurar, usaria eu, numa fase digamos, assim, instintiva, a "mão ruim"? Essa questão me leva a conjecturas.
Lembro, como é de conhecimento popular, o fato-mito de que os canhotos são mais "talentosos", artísticos. Acreditar nisso é como crer nos astros (aqueles situados no cosmo); mas não quero me despir de toda crença. É como crer que dadas coisas já estão inscritas, e que por isso a sua apreensão se dará sem tanto esforço.
No ímpeto de se autodesejar artista, tendo há crer que em "essência" sou canhoto; e que o acidente, que imobilizou a minha mão esquerda por dado tempo, traumatizando-a , foi o responsável pela impossibilidade da expressão desse dom natural.
Talvez isso explique o fato da minha histórica inabilidade destra para o desenho manual: tão admirado, e, por outro lado, difícil, na minha desejosa infância. Ou mesmo, a falta de jeito para o futebol; pois não é chutando com o "pé errado" que se começa uma boa partida.
O fato é que canhotos são mais raros. Deve existir um estudo percentual sobre a sua absoluta minoria. É provável mesmo que existam ONGs para protegê-los, e que hora ou outra farão uma passeata pela Paulista, começando no MASP, até a Consolação.
Todo destro sente-se massificado.
Por isso, como todo mundo, gostaria de ser especial. E essas pequenas coisas que incucamos na cabeça, e que por vezes nos fazem especiais num sentido negativo, por vezes também nos ajudam a buscar essa "especialeza". Como quando um elogio passageiro, de alguém que passa, sob certo sentido, indiferente à nossa vida, incita-nos a decidir por determinado destino: decide a nossa vida.
domingo, 17 de maio de 2009
ao solitário leitor
ao solitário leitor que livra
o incansável escritor do júbilo sadomasoquista da
masturbação:
saúdo, como quem não cortou as mãos,
sequer as ideias;
mas que,
ao contrário,
tenta, tolo, atar tudo e todos.
as coisas que não encontram lugar sequer nas palavras,
mesmo sabendo de sua opressão,
são confessas nas imagens mais toscas.
O cinema tenta salvar o escritor; de si, por si.
o incansável escritor do júbilo sadomasoquista da
masturbação:
saúdo, como quem não cortou as mãos,
sequer as ideias;
mas que,
ao contrário,
tenta, tolo, atar tudo e todos.
as coisas que não encontram lugar sequer nas palavras,
mesmo sabendo de sua opressão,
são confessas nas imagens mais toscas.
O cinema tenta salvar o escritor; de si, por si.
sábado, 20 de setembro de 2008
amor protocolado
Havia o ritual e sabia muito bem disso. Ritual funesto porém necessário. Por que essa série de etapas de beijos abraços toques nus e fluídos? Descartes deveria ter a sua dose de culpa, julgava. Ou era algo próprio da natureza, com todas as suas artimanhas, nos fazendo de tolos... Julgava mil hipóteses, todas elas infundadas.
Era hoje o dia de estabelecer novas bases. Dia de derrubar barreiras, de limpar a terra e plantar algo novo; sob o ímpeto subterrâneo da angústia.
Era hoje o dia de estabelecer novas bases. Dia de derrubar barreiras, de limpar a terra e plantar algo novo; sob o ímpeto subterrâneo da angústia.
Assinar:
Postagens (Atom)